Alguns conceitos trabalhados no módulo 2, pertinentes ao tema do blog:
Patriarcado- o uso desse termo pelos movimentos de mulheres está ligado a qualquer tipo de subordinação da mulher ao homem.
Violência simbólica- É aquela que se apresenta na maneira de se organizar socialmente, na linguagem, no comportamento, na cultura que traz a figura do homem sempre superior a da mulher, estando esta sempre em uma posição subalterna a ele.
Movimentos de mulheres- luta, mobilização feminina em prol de seus direitos, de uma equidade de gênero, onde a mulher estivesse no mesmo patamar que o homem e não subordinada a ele.
Declaração dos direitos da Mulher e da cidadã- Documento lançado 1791 em reação a outro documento: a declaração dos direitos do homem e do cidadão, que tinha como sujeitos apenas os homens. A declaração dos direitos da mulher e da cidadã afirmava e equidade entre homens e mulheres além de tratar de necessidades específicas das mulheres, sua autora, Olympe de Gouges, acabou executada em 1793 durante a Revolução Francesa.
Racismo- crença em que haja mais de uma raça humana e que essas raças sejam diferentes e uma superior a outra, baseando-se em diferenças biológicas dos seres humanos, como cor da pele por exemplo.
Sexismo- idéia de que um gênero é superior ao outro.
Afrodescendentes- termo que substitui a palavra preto ou negro, consideradas pejorativas ao se referirem a pessoas que têm a pele escura.
Branquitude- refere-se a uma hegemonia branca, superioridade, projeção do branco sobre o negro.
Trabalhadoras do sexo- mulheres que prestam serviços sexuais em troca de dinheiro, que usam seu corpo como instrumento de trabalho.
Feminismo- movimento social, filosófico e político que tem como objetivodireitos iguais, uma relação de gênero livre de padrões opressores baseados em normas de gênero e luta pelso direitos das mulheres e seus interesses.
Gênero- ao contrário de sexo que é natural, se nasce do sexo feminino ou masculino, gênero está ligado a um processo cultural, social é como se fosse a “desnaturalização” do sexo, gênero é uma construção social, por exemplo, não se nasce mulher, torna-se mulher.
Assimetria de gênero- diferenças, disparidades entre o poder do homem e poder da mulher, distinções entre os sexos onde sempre predomina uma supremacia masculina.
Exclusão simbólica- Caracterizada pela presença minoritária de mulheres negras nas mídias e quando aparecem estão sempre em posições subalternas, como empregadas domésticas, dançarinas, “mulatas gostosas”.
Homofobia – homo- igual, análogo, fobia – medo, aversão, ou seja, esse termo é usado para se referir ao desprezo e ao ódio às pessoas com orientação sexual que não seja a heterossexual
Raça – termo social, político, ideológico utilizado para se identificar a prática do racismo, pois do ponto de vista biológico, científico não existem várias raças humanas, mas apenas uma, a raça humana.
-Empoderamento das mulheres –
Autonomia feminina, resgate de sua dignidade, liberdade para decidirem sobre suas vidas, corpos, elas ganhando poder na sociedade, na política e em seu ambiente doméstico onde quem exerce o poder é o homem: “patriarca” detentor do poder.
-Hiato de gênero – é a separação, disparidade desequilíbrio entre homens e
mulheres em determinado aspecto ou contexto pendendo a predominância masculina, ou seja a diferença entre, por exemplo níveis de escolaridade, antes os homens tinham maior nível de escolaridade agora houve uma inversão no hiato de gênero, as mulheres estão estudando mais
Por : Jane Ribeiro Lima
Somos Pós-Graduandas em Especialização de Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça, pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES. Aqui você encontrará informações, conhecimentos e troca de experiências no que diz respeito ao combate à violência de gênero e perspectivas de segurança da mulher, com ênfase na promoção de segurança e combate à violência racial.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Novas utopias e as novas agendas feministas/Seguindo em Frente
O texto a seguir é um fragmento do artigo Mulheres em movimento de Sueli Carneiro que busca demarcar a trajetória de luta das mulheres negras brasileiras no interior do movimento feminista nacional. Trata-se de colocar em questão a perspectiva feminista clássica fundada numa concepção universalista de mulher, que tem o seu paradigma na mulher branca ocidental, o que obscurece a percepção das múltiplas contradições intragênero e entre gêneros que a racialidade aporta. Dessas contradições, impõem-se para as mulheres negras a sua afirmação como um novo sujeito político, portador de uma nova agenda, esta resultante de uma identidade específica na qual se articulam as variáveis de gênero, raça e classe, colocando novos e mais complexos desafios para realização da eqüidade de gênero e raça em nossa sociedade.
O artigo na íntegra está em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300008
Este artigo também é uma indicação de leitura da professora Beatriz para a unidade 4, do módulo 2, escolhi para postagem graças a sua relevância em se tratando do movimento de mulheres no Brasil, um dos mais respeitados do mundo, e referência fundamental em certos temas do interesse das mulheres no plano internacional. É também um dos movimentos com melhor performance dentre os movimentos sociais do país, segundo Sueli Carneiro:
Novas utopias e as novas agendas feministas
A conseqüência do crescente protagonismo das mulheres negras no interior do Movimento Feminista Brasileiro pode ser percebido na significativa mudança de perspectiva que a nova Plataforma Política Feminista adota. Essa Plataforma, proveniente da Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras realizada em 6 e 7 de junho de 2002, em Brasília, reposiciona a luta feminista no Brasil nesse novo milênio, sendo gestada (como é da natureza feminina) coletivamente por mulheres negras, indígenas, brancas, lésbicas, nortistas, nordestinas, urbanas, rurais, sindicalizadas, quilombolas, jovens, de terceira idade, portadoras de necessidades especiais, de diferentes vinculações religiosas e partidárias... que se detiveram criticamente sobre as questões mais candentes da conjuntura nacional e internacional, nos obstáculos contemporâneos persistentes para a realização da igualdade de gênero e os desafios e mecanismos para a sua superação tendo os seguintes princípios como orientadores das análises e propostas:
• reconhecer a autonomia e a autodeterminação dos movimentos sociais de mulheres;
• comprometer-se com a crítica ao modelo neoliberal injusto, predatório e insustentável do ponto de vista econômico, social, ambiental e ético;
• reconhecer os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais das mulheres;
• comprometer-se com a defesa dos princípios de igualdade e justiça econômica e social;
• reconhecer o direito universal à educação, saúde e previdência;
• comprometer-se com a luta pelo direito à terra e à moradia;
• comprometer-se com a luta anti-racista e a defesa dos princípios de eqüidade racial-étnica;
• comprometer-se com a luta contra todas as formas de discriminação de gênero, e com o combate a violência, maus-tratos, assédio e exploração de mulheres e meninas;
• comprometer-se com a luta contra a discriminação a lésbicas e gays;
• comprometer-se com a luta pela assistência integral à saúde das mulheres e pela defesa dos direitos sexuais e reprodutivos;
• reconhecer o direito das mulheres de ter ou não ter filhos com acesso de qualidade à concepção e/ou contracepção;
• reconhecer o direito de livre exercício sexual de travestis e transgêneros;
• reconhecer a discriminalização do aborto como um direito de cidadania e uma questão de saúde pública e reconhecer que cada pessoa tem direito as diversas modalidades de família e apoiar as iniciativas de parceria civil registrada [...]16.
Diz a feminista e cientista política norte-americana Nancy Fraser que a um conceito amplo de gênero que incorpore a diversidade de femininos e feminismos historicamente construídos, deve corresponder "um conceito de justiça tão abrangente quanto, e que seja capaz de englobar igualmente a distribuição e o reconhecimento"17.
Nessa direção, como já apontamos no artigo citado anteriormente, a Plataforma Política Feminista que resulta da Conferência Nacional das Mulheres Brasileiras representa o coroamento de quase duas décadas de luta pelo reconhecimento e incorporação do racismo, da discriminação racial e das desigualdades de gênero e raça que eles geram. Tal concepção constitui-se em um dos eixos estruturais da luta das mulheres brasileiras. A Plataforma, ao incorporar esse princípio, sela um pacto de solidariedade e co-responsabilidade entre mulheres negras e brancas na luta pela superação das desigualdades de gênero e entre as mulheres no Brasil. Redefine os termos de uma verdadeira justiça social no Brasil. Como afirma Guacira César de Oliveira da AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras e uma das integrantes da Comissão Organizadoras da Conferência:
reafirmamos que os movimentos de mulheres e feministas querem radicalizar a democracia, deixando claro que ela não existirá enquanto não houver igualdade; que não haverá igualdade sem distribuição das riquezas; e não há distribuição sem o reconhecimento das desigualdades entre os homens e mulheres, entre brancos e negros, entre urbanos e rurais, que hoje estruturam a pobreza. Não almejam a mera inversão dos papéis, mas um novo marco civilizatório18.
Diz-nos Fraser ainda: "[...] situo lutas de gênero como uma das facetas de um projeto político mais amplo que busque uma justiça democrática institucio-nalizante, cruzando os múltiplos eixos da diferenciação social"19.
Nessa perspectiva, a Plataforma Política Feminista oferece à sociedade a contribuição para uma sociedade democrática e socialmente justa. Sinaliza, claramente, para a urgência de instituição de um novo marco civilizatório no qual são colocados em questão a necessidade de avançar a democracia política:
A democracia política representativa – que tem no voto seu instrumento básico de funcionamento – vigora no Brasil como se fosse a única prática le-gítima de exercício de poder, apesar da forte crise de legitimidade de suas instituições. [...] A democracia representativa ainda está impregnada dos perfis racista, sexista e classista da sociedade brasileira, que consolidaram um poder hegemônico de face masculina, branca e heterossexual, em que pesem as diferenças político-ideológicas entre os partidos. Essa situação tem sido ainda agravada pela política liberal/conservadora vigente que, com seus mecanis-mos de poder junto ao sistema econômico e ao sistema de comunicação de massa, restringe as possibilidades de disputa política para muitos segmentos20.
A crítica incide também sobre o Estado Democrático de Direito e Justiça Social onde se aponta a concentração de riqueza, a dimensão de gênero e raça/etnia das desigualdades e exclusão social:
a desigualdade cresce também através das atuais práticas fiscais, que favorecem a acumulação livre do capital e restringem o acesso à riqueza nacional por parte da grande maioria da população, principalmente as mulheres negras e indígenas. (parágrafo 31)
E, fundamentalmente, em busca de um novo marco civilizatório, as mulheres se posicionam claramente contra a ordem neoliberal:
Os movimentos brasileiros de mulheres opõem-se às políticas neoliberais e de ajuste estrutural e reafirmam a necessidade de que o Estado desenvolva políticas públicas afirmativas para a superação da pobreza, a geração de renda e emprego e a garantia de bem-estar. (parágrafo 33)
O grande desafio é propor, articular e implementar propostas conseqüentes que estejam afinadas com um projeto radical de superação desses problemas e vislumbre novos ideais. Paulatinamente, o movimento de mulheres negras vem sinalizando para iniciativas fundamentais nas imbricações entre racismo e sexismo.
Nas últimas décadas o movimento de mulheres vem se firmando como sujeito político ativo no processo brasileiro de democratização política e de mudança de mentalidades. É nessa condição que convidamos toda a sociedade para debater os entraves que, ainda nesse início de milênio, dificultam em nosso país o estabelecimento da justiça social de gênero, de raça/etnia e de classe, para todos as pessoas em todos os aspectos de suas vidas21. (parágrafo 11)
Essa articulação permanente das exclusões de gênero e raça determinadas pelas práticas sexistas e racistas constituía um dos pré-requisitos fundamentais para selar uma perspectiva de luta comum entre mulheres negras e brancas no contexto da luta feminista.
O jornal Folha de S. Paulo assim noticiou o evento de lançamento da Plataforma Política Feminista em 6 de agosto de 2002 na OAB – São Paulo: "um grupo de ONGs lançará hoje a Plataforma Política Feminista. O documento traz propostas de interesse das mulheres para reforma agrária e meio ambiente e de combate ao racismo"22.
Os conteúdos destacados pelo jornal são indicativos do impacto da perspectiva das mulheres negras sobre a agenda feminista brasileira. O combate ao racismo, antes questão periférica ou inexistente, torna-se um dos elementos estruturais da Plataforma Política Feminista. De igual maneira, as questões de reforma agrária e meio ambiente sublinhadas pelo jornal são temas do interesse das mulheres populares nas quais as mulheres negras estão diretamente imbricadas pela prevalência da população negra nas áreas rurais do país. Some-se a isso a conflituosa situação das comunidades remanescentes de quilombos em disputa de suas terras ancestrais com empreendimentos agropecuários, madeireiros e grilagens para fins de especulação imobiliária que operam para postergar a titulação de suas terras um direito conquistado e reconhecido pelo artigo 68 da Constituição Federal.
Seguindo em frente...
Pensar a contribuição do feminismo negro na luta anti-racista é trazer à tona as implicações do racismo e do sexismo que condenaram as mulheres negras a uma situação perversa e cruel de exclusão e marginalização sociais. Tal situação, por seu turno, engendrou formas de resistência e superação tão ou mais contundentes.
O esforço pela afirmação de identidade e de reconhecimento social representou para o conjunto das mulheres negras, destituído de capital social, uma luta histórica que possibilitou que as ações dessas mulheres do passado e do presente (especialmente as primeiras) pudessem ecoar de tal forma a ultrapassarem as barreiras da exclusão. O que possibilitou, por exemplo, que a primeira romancista brasileira fosse uma negra a despeito das contingências sociais em que ela emergiu?
Os efeitos do racismo e do sexismo são tão brutais que acabam por impulsionar reações capazes de recobrir todas as perdas já postas na relação de dominação.
O efervescente protagonismo das mulheres negras, orientado num primeiro momento pelo desejo de liberdade, pelo resgate de humanidade negada pela escravidão e, num segundo momento, pontuado pelas emergências das organizações de mulheres negras e articulações nacionais de mulheres negras, vem desenhando novos cenários e perspectivas para as mulheres negras e recobrindo as perdas históricas.
Sumariamente, podemos afirmar que o protagonismo político das mulheres negras tem se constituído em força motriz para determinar as mudanças nas concepções e o reposicionamento político feminista no Brasil. A ação política das mulheres negras vem promovendo:
• o reconhecimento da falácia da visão universalizante de mulher;
• o reconhecimento das diferenças intragênero;
• o reconhecimento do racismo e da discriminação racial como fatores de produção e reprodução das desigualdades sociais experimentadas pelas mulheres no Brasil;
• o reconhecimento dos privilégios que essa ideologia produz para as mulheres do grupo racial hegemônico;
• o reconhecimento da necessidade de políticas específicas para as mulheres negras para a equalização das oportunidades sociais;
• o reconhecimento da dimensão racial que a pobreza tem no Brasil e, conseqüentemente, a necessidade do corte racial na problemática da feminização da pobreza;
• o reconhecimento da violência simbólica e a opressão que a brancura, como padrão estético privilegiado e hegemônico, exerce sobre as mulheres não-brancas.
E a introdução dessas questões na esfera pública contribuem, ademais, para o alargamento dos sentidos de democracia, igualdade e justiça social, noções sobre as quais gênero e raça impõem-se como parâmetros inegociáveis para a construção de um novo mundo.
Postado por Jane Ribeiro Lima
O artigo na íntegra está em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300008
Este artigo também é uma indicação de leitura da professora Beatriz para a unidade 4, do módulo 2, escolhi para postagem graças a sua relevância em se tratando do movimento de mulheres no Brasil, um dos mais respeitados do mundo, e referência fundamental em certos temas do interesse das mulheres no plano internacional. É também um dos movimentos com melhor performance dentre os movimentos sociais do país, segundo Sueli Carneiro:
Novas utopias e as novas agendas feministas
A conseqüência do crescente protagonismo das mulheres negras no interior do Movimento Feminista Brasileiro pode ser percebido na significativa mudança de perspectiva que a nova Plataforma Política Feminista adota. Essa Plataforma, proveniente da Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras realizada em 6 e 7 de junho de 2002, em Brasília, reposiciona a luta feminista no Brasil nesse novo milênio, sendo gestada (como é da natureza feminina) coletivamente por mulheres negras, indígenas, brancas, lésbicas, nortistas, nordestinas, urbanas, rurais, sindicalizadas, quilombolas, jovens, de terceira idade, portadoras de necessidades especiais, de diferentes vinculações religiosas e partidárias... que se detiveram criticamente sobre as questões mais candentes da conjuntura nacional e internacional, nos obstáculos contemporâneos persistentes para a realização da igualdade de gênero e os desafios e mecanismos para a sua superação tendo os seguintes princípios como orientadores das análises e propostas:
• reconhecer a autonomia e a autodeterminação dos movimentos sociais de mulheres;
• comprometer-se com a crítica ao modelo neoliberal injusto, predatório e insustentável do ponto de vista econômico, social, ambiental e ético;
• reconhecer os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais das mulheres;
• comprometer-se com a defesa dos princípios de igualdade e justiça econômica e social;
• reconhecer o direito universal à educação, saúde e previdência;
• comprometer-se com a luta pelo direito à terra e à moradia;
• comprometer-se com a luta anti-racista e a defesa dos princípios de eqüidade racial-étnica;
• comprometer-se com a luta contra todas as formas de discriminação de gênero, e com o combate a violência, maus-tratos, assédio e exploração de mulheres e meninas;
• comprometer-se com a luta contra a discriminação a lésbicas e gays;
• comprometer-se com a luta pela assistência integral à saúde das mulheres e pela defesa dos direitos sexuais e reprodutivos;
• reconhecer o direito das mulheres de ter ou não ter filhos com acesso de qualidade à concepção e/ou contracepção;
• reconhecer o direito de livre exercício sexual de travestis e transgêneros;
• reconhecer a discriminalização do aborto como um direito de cidadania e uma questão de saúde pública e reconhecer que cada pessoa tem direito as diversas modalidades de família e apoiar as iniciativas de parceria civil registrada [...]16.
Diz a feminista e cientista política norte-americana Nancy Fraser que a um conceito amplo de gênero que incorpore a diversidade de femininos e feminismos historicamente construídos, deve corresponder "um conceito de justiça tão abrangente quanto, e que seja capaz de englobar igualmente a distribuição e o reconhecimento"17.
Nessa direção, como já apontamos no artigo citado anteriormente, a Plataforma Política Feminista que resulta da Conferência Nacional das Mulheres Brasileiras representa o coroamento de quase duas décadas de luta pelo reconhecimento e incorporação do racismo, da discriminação racial e das desigualdades de gênero e raça que eles geram. Tal concepção constitui-se em um dos eixos estruturais da luta das mulheres brasileiras. A Plataforma, ao incorporar esse princípio, sela um pacto de solidariedade e co-responsabilidade entre mulheres negras e brancas na luta pela superação das desigualdades de gênero e entre as mulheres no Brasil. Redefine os termos de uma verdadeira justiça social no Brasil. Como afirma Guacira César de Oliveira da AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras e uma das integrantes da Comissão Organizadoras da Conferência:
reafirmamos que os movimentos de mulheres e feministas querem radicalizar a democracia, deixando claro que ela não existirá enquanto não houver igualdade; que não haverá igualdade sem distribuição das riquezas; e não há distribuição sem o reconhecimento das desigualdades entre os homens e mulheres, entre brancos e negros, entre urbanos e rurais, que hoje estruturam a pobreza. Não almejam a mera inversão dos papéis, mas um novo marco civilizatório18.
Diz-nos Fraser ainda: "[...] situo lutas de gênero como uma das facetas de um projeto político mais amplo que busque uma justiça democrática institucio-nalizante, cruzando os múltiplos eixos da diferenciação social"19.
Nessa perspectiva, a Plataforma Política Feminista oferece à sociedade a contribuição para uma sociedade democrática e socialmente justa. Sinaliza, claramente, para a urgência de instituição de um novo marco civilizatório no qual são colocados em questão a necessidade de avançar a democracia política:
A democracia política representativa – que tem no voto seu instrumento básico de funcionamento – vigora no Brasil como se fosse a única prática le-gítima de exercício de poder, apesar da forte crise de legitimidade de suas instituições. [...] A democracia representativa ainda está impregnada dos perfis racista, sexista e classista da sociedade brasileira, que consolidaram um poder hegemônico de face masculina, branca e heterossexual, em que pesem as diferenças político-ideológicas entre os partidos. Essa situação tem sido ainda agravada pela política liberal/conservadora vigente que, com seus mecanis-mos de poder junto ao sistema econômico e ao sistema de comunicação de massa, restringe as possibilidades de disputa política para muitos segmentos20.
A crítica incide também sobre o Estado Democrático de Direito e Justiça Social onde se aponta a concentração de riqueza, a dimensão de gênero e raça/etnia das desigualdades e exclusão social:
a desigualdade cresce também através das atuais práticas fiscais, que favorecem a acumulação livre do capital e restringem o acesso à riqueza nacional por parte da grande maioria da população, principalmente as mulheres negras e indígenas. (parágrafo 31)
E, fundamentalmente, em busca de um novo marco civilizatório, as mulheres se posicionam claramente contra a ordem neoliberal:
Os movimentos brasileiros de mulheres opõem-se às políticas neoliberais e de ajuste estrutural e reafirmam a necessidade de que o Estado desenvolva políticas públicas afirmativas para a superação da pobreza, a geração de renda e emprego e a garantia de bem-estar. (parágrafo 33)
O grande desafio é propor, articular e implementar propostas conseqüentes que estejam afinadas com um projeto radical de superação desses problemas e vislumbre novos ideais. Paulatinamente, o movimento de mulheres negras vem sinalizando para iniciativas fundamentais nas imbricações entre racismo e sexismo.
Nas últimas décadas o movimento de mulheres vem se firmando como sujeito político ativo no processo brasileiro de democratização política e de mudança de mentalidades. É nessa condição que convidamos toda a sociedade para debater os entraves que, ainda nesse início de milênio, dificultam em nosso país o estabelecimento da justiça social de gênero, de raça/etnia e de classe, para todos as pessoas em todos os aspectos de suas vidas21. (parágrafo 11)
Essa articulação permanente das exclusões de gênero e raça determinadas pelas práticas sexistas e racistas constituía um dos pré-requisitos fundamentais para selar uma perspectiva de luta comum entre mulheres negras e brancas no contexto da luta feminista.
O jornal Folha de S. Paulo assim noticiou o evento de lançamento da Plataforma Política Feminista em 6 de agosto de 2002 na OAB – São Paulo: "um grupo de ONGs lançará hoje a Plataforma Política Feminista. O documento traz propostas de interesse das mulheres para reforma agrária e meio ambiente e de combate ao racismo"22.
Os conteúdos destacados pelo jornal são indicativos do impacto da perspectiva das mulheres negras sobre a agenda feminista brasileira. O combate ao racismo, antes questão periférica ou inexistente, torna-se um dos elementos estruturais da Plataforma Política Feminista. De igual maneira, as questões de reforma agrária e meio ambiente sublinhadas pelo jornal são temas do interesse das mulheres populares nas quais as mulheres negras estão diretamente imbricadas pela prevalência da população negra nas áreas rurais do país. Some-se a isso a conflituosa situação das comunidades remanescentes de quilombos em disputa de suas terras ancestrais com empreendimentos agropecuários, madeireiros e grilagens para fins de especulação imobiliária que operam para postergar a titulação de suas terras um direito conquistado e reconhecido pelo artigo 68 da Constituição Federal.
Seguindo em frente...
Pensar a contribuição do feminismo negro na luta anti-racista é trazer à tona as implicações do racismo e do sexismo que condenaram as mulheres negras a uma situação perversa e cruel de exclusão e marginalização sociais. Tal situação, por seu turno, engendrou formas de resistência e superação tão ou mais contundentes.
O esforço pela afirmação de identidade e de reconhecimento social representou para o conjunto das mulheres negras, destituído de capital social, uma luta histórica que possibilitou que as ações dessas mulheres do passado e do presente (especialmente as primeiras) pudessem ecoar de tal forma a ultrapassarem as barreiras da exclusão. O que possibilitou, por exemplo, que a primeira romancista brasileira fosse uma negra a despeito das contingências sociais em que ela emergiu?
Os efeitos do racismo e do sexismo são tão brutais que acabam por impulsionar reações capazes de recobrir todas as perdas já postas na relação de dominação.
O efervescente protagonismo das mulheres negras, orientado num primeiro momento pelo desejo de liberdade, pelo resgate de humanidade negada pela escravidão e, num segundo momento, pontuado pelas emergências das organizações de mulheres negras e articulações nacionais de mulheres negras, vem desenhando novos cenários e perspectivas para as mulheres negras e recobrindo as perdas históricas.
Sumariamente, podemos afirmar que o protagonismo político das mulheres negras tem se constituído em força motriz para determinar as mudanças nas concepções e o reposicionamento político feminista no Brasil. A ação política das mulheres negras vem promovendo:
• o reconhecimento da falácia da visão universalizante de mulher;
• o reconhecimento das diferenças intragênero;
• o reconhecimento do racismo e da discriminação racial como fatores de produção e reprodução das desigualdades sociais experimentadas pelas mulheres no Brasil;
• o reconhecimento dos privilégios que essa ideologia produz para as mulheres do grupo racial hegemônico;
• o reconhecimento da necessidade de políticas específicas para as mulheres negras para a equalização das oportunidades sociais;
• o reconhecimento da dimensão racial que a pobreza tem no Brasil e, conseqüentemente, a necessidade do corte racial na problemática da feminização da pobreza;
• o reconhecimento da violência simbólica e a opressão que a brancura, como padrão estético privilegiado e hegemônico, exerce sobre as mulheres não-brancas.
E a introdução dessas questões na esfera pública contribuem, ademais, para o alargamento dos sentidos de democracia, igualdade e justiça social, noções sobre as quais gênero e raça impõem-se como parâmetros inegociáveis para a construção de um novo mundo.
Postado por Jane Ribeiro Lima
LUTA PELOS DIREITOS DAS MULHERES
A década de setenta constituiu um marco para o movimento de mulheres no Brasil, com suas vertentes de movimento feminista, grupos de mulheres pela redemocratização do país e pela melhoria nas condições de vida e de trabalho da população brasileira. Em 1975, comemorou-se, em todo o planeta, o Ano Internacional da Mulher e foi realizada a I Conferência Mundial da Mulher, promovida pela Organização das Nações Unidas – ONU, instituindo-se a Década da Mulher.
Em fins dos anos setenta e durante a década de oitenta, o movimento se amplia e se diversifica, adentrando partidos políticos, sindicatos e associações comunitárias. Com a acumulação das discussões e das lutas, o Estado Brasileiro e os governos federal e estaduais reconhecem a especificidade da condição feminina, acolhendo propostas do movimento na Constituição Federal e na elaboração de políticas públicas voltadas para o enfrentamento e superação das privações, discriminações e opressões vivenciadas pelas mulheres.
Como exemplo, destaca-se a criação dos Conselhos dos Direitos da Mulher, das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, de programas específicos de Saúde integral e de prevenção e atendimento às vítimas de Violência Sexual e Doméstica.
Nos anos noventa, amplia-se o movimento social de mulheres e surgem inúmeras organizações não-governamentais (ONGs). Além de uma diversidade e pluralidade de projetos, estratégias, temáticas e formas organizacionais, constatou-se a profissionalização/especialização dessas ONGs.
Também nesta década, consolidam-se novas formas de estruturação e de mobilização, embasadas na criação de redes/articulações setoriais, regionais e nacionais, a exemplo da Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB, da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos – RedeSaúde e de articulações de trabalhadoras rurais e urbanas, pesquisadoras, religiosas, negras, lésbicas, entre outras.
Paralelamente, são desencadeadas campanhas como "Mulheres Sem Medo do Poder", visando estimular e apoiar a participação política das mulheres nas eleições municipais de 1996; "Pela Vida das Mulheres", visando manter o direito ao aborto nos casos previstos no Código Penal Brasileiro (risco de vida da mãe e gravidez resultante de estupro); "Pela Regulamentação do Atendimento dos Casos de Aborto Previstos em Lei, na Rede Pública de Saúde"; e "Direitos Humanos das Mulheres", por ocasião da comemoração dos 50 anos da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos, visando incorporar a história das mulheres.
Nessa década, o movimento aprofunda a interlocução com o Legislativo e o Executivo – e, em menor medida, com o Judiciário -, tanto no sentido da regulamentação de dispositivos constitucionais, quanto no sentido da implementação de políticas públicas que levem em conta a situação das mulheres e perspectiva de eqüidade nas relações de gênero.
As mulheres brasileiras, enquanto integrantes e representantes de organizações do movimento de mulheres, estão articuladas e sintonizadas com o movimento de mulheres internacional, particularmente o Latino-americano e do Caribe, O Movimento de Mulheres participou e contribuiu nos grandes fóruns internacionais, a exemplo das Conferências Mundiais da ONU – sobre Direitos Humanos (Viena-1993), População e Desenvolvimento (Cairo- 1994) e Mulher, Igualdade, Desenvolvimento e Paz (Beijing – 1995) – e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher (Belém do Pará – 1994), da Organização dos Estados Americanos – OEA.
http://www.redemulher.org.br/luta.htm, acesso em 29/09/2011.
Através dos movimentos sociais - os movimentos de mulheres, com suas diversidades e especificidades as mulheres conquistaram seus direitos e melhores condições de vida e trabalho, tais como: Movimento Feminista Contemporâneo, Movimento de Mulheres Negras, Movimento de Mulheres Indígenas, Movimentos de Trabalhadoras Urbanas, Movimentos de Trabalhadoras Rurais e Movimento de Mulheres Lésbicas. Todas unidas em prol de uma vida melhor, sem preconceito, discriminação e desigualdade; lutando pela equidade de gêneros e pela simetria das relações entre homens e mulheres.
"MULHERES QUE LUTAM MUDAM O MUNDO"!
Então venha você também mulher lutar e mudar o mundo, pois juntas conquistaremos um mundo melhor para todos e todas nós, homens e mulheres!
Por: KÉSIA KARLA PAIVA SILVA
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
De forma irônica, Alcione critica violência contra a mulher
A cantora Alcione, a “Marrom”, em seu disco De Tudo Que Eu Gosto lançou a música Maria da Penha, em que ataca, de forma bem humorada, a violência contra a mulher.
Alcione comentou, em entrevista, que pediu aos compositores amigos para que fizessem uma música que falasse sobre essa onda de violência contra a mulher. Para artista, acabaram fazendo uma música muito chorosa, que nada tinha a ver com ela. “Parecia que eu estava pedindo desculpas ao agressor”, brincou.
Então, segundo Alcione, o compositor Paulinho Rezende enviou a letra de Maria da Penha, que faz referência à lei que pune com prisão os agressores de mulheres, que fala do assunto de uma forma irônica e que retrata uma mulher que reage à violência com força e determinação.
Analise a letra da música, deixe seu comentário, sua opinião sobre o assunto.
Maria da Penha
Alcione
Composição: Paulinho Resende e Evandro Lima
Comigo não, violão
Na cara que mamãe beijou
Zé Ruela nenhum bota a mão
Se tentar me bater
Vai se arrepender
Eu tenho cabelo na venta
E o que venta lá, venta cá
Sou brasileira, guerreira
Não tô de bobeira
Não pague pra ver
Porque vai ficar quente a chapa
Você não vai ter sossego na vida, seu moço
Se me der um tapa
Da dona "Maria da Penha"
Você não escapa
O bicho pegou, não tem mais a banca
De dar cesta básica, amor
Vacilou, tá na tranca
Respeito, afinal,é bom e eu gosto
Saia do meu pé
Ou eu te mando a lei na lata, seu mané
Bater em mulher é onda de otário
Não gosta do artigo, meu bem
Sai logo do armário
Não vem que eu não sou
Mulher de ficar escutando esculacho
Aqui o buraco é mais embaixo
A nossa paixão já foi tarde
Cantou pra subir, Deus a tenha
Se der mais um passo
Eu te passo a "Maria da Penha"
Você quer voltar pro meu mundo
Mas eu já troquei minha senha
Dá linha, malandro
Que eu te mando a "Maria da Penha"
Não quer se dar mal, se contenha
Sou fogo onde você é lenha
Não manda o seu casco
Que eu te tasco a "Maria da Penha"
Se quer um conselho, não venha
Com essa arrogância ferrenha
Vai dar com a cara
Bem na mão da "Maria da Penha"
Fontes: http://letras.terra.com.br/alcione/1092644/ http://colunas.imirante.com/platb/pedrosobrinho/2007/08/27/de-forma-ironica-alcione-critica-violencia-contra-a-mulher/
Alcione comentou, em entrevista, que pediu aos compositores amigos para que fizessem uma música que falasse sobre essa onda de violência contra a mulher. Para artista, acabaram fazendo uma música muito chorosa, que nada tinha a ver com ela. “Parecia que eu estava pedindo desculpas ao agressor”, brincou.
Então, segundo Alcione, o compositor Paulinho Rezende enviou a letra de Maria da Penha, que faz referência à lei que pune com prisão os agressores de mulheres, que fala do assunto de uma forma irônica e que retrata uma mulher que reage à violência com força e determinação.
Analise a letra da música, deixe seu comentário, sua opinião sobre o assunto.
Maria da Penha
Alcione
Composição: Paulinho Resende e Evandro Lima
Comigo não, violão
Na cara que mamãe beijou
Zé Ruela nenhum bota a mão
Se tentar me bater
Vai se arrepender
Eu tenho cabelo na venta
E o que venta lá, venta cá
Sou brasileira, guerreira
Não tô de bobeira
Não pague pra ver
Porque vai ficar quente a chapa
Você não vai ter sossego na vida, seu moço
Se me der um tapa
Da dona "Maria da Penha"
Você não escapa
O bicho pegou, não tem mais a banca
De dar cesta básica, amor
Vacilou, tá na tranca
Respeito, afinal,é bom e eu gosto
Saia do meu pé
Ou eu te mando a lei na lata, seu mané
Bater em mulher é onda de otário
Não gosta do artigo, meu bem
Sai logo do armário
Não vem que eu não sou
Mulher de ficar escutando esculacho
Aqui o buraco é mais embaixo
A nossa paixão já foi tarde
Cantou pra subir, Deus a tenha
Se der mais um passo
Eu te passo a "Maria da Penha"
Você quer voltar pro meu mundo
Mas eu já troquei minha senha
Dá linha, malandro
Que eu te mando a "Maria da Penha"
Não quer se dar mal, se contenha
Sou fogo onde você é lenha
Não manda o seu casco
Que eu te tasco a "Maria da Penha"
Se quer um conselho, não venha
Com essa arrogância ferrenha
Vai dar com a cara
Bem na mão da "Maria da Penha"
Fontes: http://letras.terra.com.br/alcione/1092644/ http://colunas.imirante.com/platb/pedrosobrinho/2007/08/27/de-forma-ironica-alcione-critica-violencia-contra-a-mulher/
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Vulgarização da imagem da mulher
Assim como esta, muitas outras letras de músicas denigrem a imagem da mulher, nós mulheres já preenchemos os espaços que haviam para serem ocupados. As lacunas agora são poucas. Batalhas foram vencidas. Hoje somos motoristas de táxi, de ônibus, caminhoneiras, operárias, executivas, empresárias, juízas, advogadas, políticas, enfim temos exemplos de mulheres em diversos setores, ocupando todos os tipos de cargos, desde o mais baixo até o mais alto. Mas de que adianta plantar e não cultivar? Vemos em nossa sociedade uma vulgarização de nossa imagem, De que adianta conseguir o respeito, mas não se dar o devido valor? Vemos mulheres da dita "música" brasileira, cantando aos quatro ventos que um "tapinha não dói", e oferecendo "o biquinho do peitinho" para o povão. Vemos mulheres com corpos lindos, e também aperfeiçoados clinicamente (o que não é crime, rsrs), tendo sua imagem usada para vender mais algum produto, revistas, lingeries, cerveja e outros. É engraçadinho, é irônico, é "brincadeirinha" só pra dar lucro, mas também é grotesco, é de péssimo gosto, é machista e vulgar, é violência moral, além de ser apologia à agressividade contra a mulher. Leia, analise a letra da música e dê sua opinião na enquete ao lado, será que MC Naldinho (compositor da música) está correto? Será que realmente só um tapinha não dói?
Jane Ribeiro Lima
Um Tapinha NãO Doi
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha...(2x)
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói...
Em seu cabelo vou tocar
Sua bôca vou beijar
Tô visando tua bundinha
Maluquinho prá apertar...(2x)
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:
Dói, um tapinha
Dói, Dói, Dói, Dói
Dói, um tapinha
Dói, Dói, Dói, Dói
Dói, Dói, Dói, Dói
Dói, Dói, Dói, Dói...
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói...
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho...(3x)
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
Dá uma quebradinha
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque: Só um tapinha!
Fontes: http://letras.terra.com.br/furacao-2000/15575/~
http://www.roquenrou.com.br/roquenrou/leitores.asp?cod=48
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Música: hip hop pela não violência contra as mulheres
Vale a pena escutar as músicas produzidas pelas participantes do projeto Minas da Rima – As Mulheres do Hip Hop unidas pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. O objetivo do projeto foi “introduzir no universo da cultura Hip Hop a perspectiva de gênero, a reflexão e a compreensão dos fatores que levam à violência contra a mulher [...] aproveitar o potencial questionador do Hip Hop para colocar em pauta este tema.”
As músicas que resultaram estão disponíveis no site. Colamos aqui os links diretos para facilitar.
001 – Mulheres de Atitude – (Alessa – Jamille – JC)
002 – Rosas – (Atitude Feminina)
003 – Ciclos Refletidos – (Liliãn – Queen – Nega Liza – Negramone)
004 – Retrato Falado – (Alessa – Jamille – JC – Primadonna)
005 – Marcas que ficam – (Negra Rô – Nega Liza – Missa Black – HL)
006 – Calada não vou mais ficar – (Vera Verônika – Aninha – Edd Wheller)
007 – Boladona – (Marcia 2 Pac – Luciana Nascimento – Jamille–Joy-C)
008 – Direitos de Mulher – (Baby Soul – Re-Fem – Carli)
009 – Mulher Negra, tem que respeitar – (Tulani Massai – Re-Fem – Denise – Flácia Souza – Joy-C)
010 – Violência Continuada–(Edd Wheller–Flávia Souza–Afro Lady–Joy-C)
011 – Mais Paz – (Bebel do Gueto – Afro Lady – Flai)
012 – Guerreira que é guerreira, nunca gela – (Lica MC – Bia – Charlene – Sandra)
013 – Minas da Rima X Violência Contra a Mulher – (Rúbia – Sharylaine – Tiely Queen)
A experiência também rendeu um filme, Guerreiras do Brasil, que narra histórias de violência enfrentadas por cantoras brasileiras. Já foi exibido em alguns festivais, e recentemente passou no Rio de Janeiro, seguido de bate-papo.
para acessar os links das músicas, consulte a fonte:
http://retomeatecnologia.wordpress.com/2008/12/05/musica-hip-hop-pela-nao-violencia-contra-as-mulheres/
As músicas que resultaram estão disponíveis no site. Colamos aqui os links diretos para facilitar.
001 – Mulheres de Atitude – (Alessa – Jamille – JC)
002 – Rosas – (Atitude Feminina)
003 – Ciclos Refletidos – (Liliãn – Queen – Nega Liza – Negramone)
004 – Retrato Falado – (Alessa – Jamille – JC – Primadonna)
005 – Marcas que ficam – (Negra Rô – Nega Liza – Missa Black – HL)
006 – Calada não vou mais ficar – (Vera Verônika – Aninha – Edd Wheller)
007 – Boladona – (Marcia 2 Pac – Luciana Nascimento – Jamille–Joy-C)
008 – Direitos de Mulher – (Baby Soul – Re-Fem – Carli)
009 – Mulher Negra, tem que respeitar – (Tulani Massai – Re-Fem – Denise – Flácia Souza – Joy-C)
010 – Violência Continuada–(Edd Wheller–Flávia Souza–Afro Lady–Joy-C)
011 – Mais Paz – (Bebel do Gueto – Afro Lady – Flai)
012 – Guerreira que é guerreira, nunca gela – (Lica MC – Bia – Charlene – Sandra)
013 – Minas da Rima X Violência Contra a Mulher – (Rúbia – Sharylaine – Tiely Queen)
A experiência também rendeu um filme, Guerreiras do Brasil, que narra histórias de violência enfrentadas por cantoras brasileiras. Já foi exibido em alguns festivais, e recentemente passou no Rio de Janeiro, seguido de bate-papo.
para acessar os links das músicas, consulte a fonte:
http://retomeatecnologia.wordpress.com/2008/12/05/musica-hip-hop-pela-nao-violencia-contra-as-mulheres/
Amélias, loiras burras e popozudas – A violência contra a mulher na música brasileira
Publicado em março 08 America/Recife 2009 por Roberta Almeida
Apesar de não podermos comparar, a música popular brasileira da época de ouro do rádio nacional com o que é produzido atualmente, pois os tempos e valores culturais são outros, neste artigo tentaremos pelo menos fazer algumas citações, as quais, ao longo dos anos foram cometidas contra a mulher. Isso servirá de reflexão para os que viveram décadas passadas e, quem sabe, abrirá um pouco os olhos dessa juventude encantada com o produto que os grandes veículos de comunicação massificam como se fosse a real cultura nacional.
É correto afirmar que desde o surgimento do homem, a comunicação e principalmente a música em suas variadas manifestações também apareceram em paralelo. Eram os rituais dos combates, colheitas e das festas populares em todas as regiões do planeta, as quais envolviam os participantes numa celebração coletiva. Com a revolução industrial e a consequente mudança dos valores da civilização, o planeta jamais foi o mesmo.
No caso particular da música, com a invenção do gramofone e dos discos, começou também a surgir a canção do entretenimento. Ou seja, além da composição mais elaborada em termos de melodia, harmonia, arranjo e mensagem, sempre existiu também a de apelo mais fácil, a qual sempre foi o filão mantido pela indústria cultural para justificar inclusive sua existência.
Com relação a violência contra a mulher na música brasileira, uma composição cuja letra inclusive se tornou dito popular em referência a subserviência da mulher foi "Ai que saudades da Amélia" (Ataulfo Alves/Mário Lago) "… As vezes passava fome ao meu lado. E achava bonito não ter o que comer. E quando me via contrariado, dizia meu filho, o que se há de fazer. Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia que era mulher de verdade.
O mesmo Mário Lago já havia escrito também "Número Um", sobre uma mulher de muitos homens: "… Pois entre teus mil amores. Eu sou o número um". Essa era "agressão" que a mulher sofria nas décadas de 40 e 50 pois o machismo era muito comum. O sambista Wilson Batista convocava em "Emília" – "Eu quero uma mulher. Que saiba lavar e cozinhar. E que de manhã cedo me acorde na hora de ir trabalhar…". Podíamos citar outras inúmeras criações, as quais detratavam a sexo feminino, no entanto, apesar de tudo, nenhuma pregava a violência contra ela, no máximo a expunha como objeto de cama e mesa.
Isso se faz muito patente principalmente nas marchinhas carnavalescas, as quais, dentre muitas, podemos citar a "Maria Escandalosa" – "Maria escandalosa, desde criança sempre deu alteração. Na escola, não dava bola, só aprendia o que não era da lição. Depois a Maria cresceu, juízo que é bom não colheu. E a Maria escandalosa, é mentirosa, é preguiçosa, mas é gostosa…"
O compositor pernambucano Capiba discordou na época, da violência contra o sexo "frágil" quando aproveitou um dito popular e criou seu frevo "Cala a boca menino" – "Sempre ouvi dizer que numa mulher não se bate nem com uma flor. Loura ou morena não importa a cor. Não se bate nem com uma flor. Já se acabou o tempo em que a mulher só dizia então: Chô galinha, cala a boca menino, ai, ai, não me dê mais não…"
Já na década de 60 algumas propostas musicais agressivas contra a mulher eram cantadas em "Brotinho Maluco" – "… Brotinho eu acabo, te botando no colo e te dando palmada…". Nessa época um samba com a mesma temática se tornou conhecido: "Bata nego" – "Bata nego, pode bater, bata com força que eu gosto de sofrer… e quanto mais ela apanhava. Mais ela dizia. Bata nego pode bater…"
Nesse período o menestrel Juca Chaves com suas sátiras musicais também alfinetou o mulherio como "Alça de caixão" – "…Pois mulher é como alça de caixão, quando um solta, vem o outro e põe a mão… O sambista Martinho da Vila depreciou as feministas da década de 70 com "Você não passa de uma mulher". Nesse mesmo período composições de Gonzaguinha, Milton Nascimento, Chico Buarque, Ivan Lins, Gilberto Gil e Caetano Veloso, louvaram a atuação das mulheres na luta ao lado dos homens.
Além dos compositores citados, a criação "Mulher (Sexo Frágil) de Erasmo e Roberto Carlos, em homenagem a companheira e mãe dos filhos do Tremendão, se tornou uma espécie de hino da geração. O "Rei da Juventude" aproveitou também para declarar seu amor musical as mulheres que usam óculos, de quarenta anos, gordinhas e etc. Desse novo tempo o cantador Otacílio Batista deu o mote "Mulher nova bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor", o qual Zé Ramalho colocou melodia e Amelinha cantou, virando o tema principal do seriado televisivo global sobre o cangaço, trilha sonora de Maria Bonita.
A maior depreciação da mulher na música brasileira começou na década de 90 quando, entre outros fatores, foi iniciado o culto ao bumbum com bem mais ênfase do que havia acontecido na época das chacretes comandadas por Rita Cadilac e a "cantora" Gretchen. A indústria fonográfica percebeu a preferência nacional masculina e apostou todas as suas fichas no novo Midas. Fabricou o Tchan e sua Carla Perez e aí vieram as outras seguidoras do culto a bundofília.
Paralelo a isso, a erotização das coreografias das bandas da Bahia, as quais também popularizaram os carnavais fora de época, surgiu uma nova vertente da cultura da massificação. O grupo Mamonas Assassinas foi o primeiro a implementar a palavrão subliminar em suas criações e como o público infantil e adolescente era o alvo fácil de sua comunicação, as crianças começaram a conviver com uma linguagem antes restrita aos adultos.
Como o público infantil e o adolescente se deixa levar de roldão pelos apelos dos grandes veículos e comunicação, notadamente a televisão e o rádio, as fábricas dos discos jogam pesado na divulgação de seus produtos nessas duas vertentes de divulgação. Com isso, também veio o culto as falsas louras, satirizado e popularizado por Gabriel O Pensador em "Lôraburra".
Atualmente, a linguagem subliminar com citação de partes sexuais, iniciada pelo Mamonas Assassinas, aliada a bundofilia, está sendo divulgada amplamente de modo concreto em "músicas" por um tal de Tigrão e sua turma do funk, no Rio de Janeiro e já virou mania nacional. Termos pejorativos como "popozuda" e "preparada" são bradados ao longo da batida mecânica do som que embala as alucinadas galeras. Isso reflete a atual decadência por que passa os valores da atual sociedade. O que mais me revolta ainda, são os adultos que acham engraçados esses atuais adjetivos e a nova moda. Isso sem mencionar o público mais indefeso, das "inocentes" crianças e adolescentes femininas que são chamadas de cachorras e ainda rebolam o tchan.
Lí na imprensa que a Rede Bandeirantes irá colocar no ar um programa semanal de duas horas dedicado ao funk. Creio que se houvesse um cumprimento na legislação da TV brasileira esse tipo de informação não seria passada pela telinha, pois, pelo que se tem notícia em todo o Brasil, inclusive em Fortaleza, sempre ocorre violência entre as galeras desses bailes funks. Inclusive no Rio de Janeiro, o jornal O Dia está denunciando numa série reportagens, todas as atrocidades cometidas com as garotas que pensam em se divertir e acabam abusadas sexualmente nessas festas.
Fico pensando em qual "jogada musical" as multinacionais do disco no Brasil vão apostar depois que essa onda passar. O que idealizar, depois que vi as declarações do tal Tigrão, "As pessoas gostam desse erotismo. Mas se você analisar as letras nem são tão pesadas. Até por que o público infantil ouve funk". Vale salientar que uma das "músicas" dele chama-se "Máquina do Sexo" onde orgulha-se – "… Eu transo igual a um animal…". Isso sem falar em "Jonathan II" interpretada por um menino de 7 anos: "…Sábado e Domingo eu solto pipa e jogo bola. Mas já estou crescendo com muita emoção. E eu já vou pegar um filé com popozão…" Imaginem agora umas mensagens mais leves do que essas
(Fonte: http://robertamalmeida.wordpress.com/2009/03/08/amelias-loiras-burras-e-popozudas-a-violencia-contra-a-mulher-na-musica-brasileira/)
Apesar de não podermos comparar, a música popular brasileira da época de ouro do rádio nacional com o que é produzido atualmente, pois os tempos e valores culturais são outros, neste artigo tentaremos pelo menos fazer algumas citações, as quais, ao longo dos anos foram cometidas contra a mulher. Isso servirá de reflexão para os que viveram décadas passadas e, quem sabe, abrirá um pouco os olhos dessa juventude encantada com o produto que os grandes veículos de comunicação massificam como se fosse a real cultura nacional.
É correto afirmar que desde o surgimento do homem, a comunicação e principalmente a música em suas variadas manifestações também apareceram em paralelo. Eram os rituais dos combates, colheitas e das festas populares em todas as regiões do planeta, as quais envolviam os participantes numa celebração coletiva. Com a revolução industrial e a consequente mudança dos valores da civilização, o planeta jamais foi o mesmo.
No caso particular da música, com a invenção do gramofone e dos discos, começou também a surgir a canção do entretenimento. Ou seja, além da composição mais elaborada em termos de melodia, harmonia, arranjo e mensagem, sempre existiu também a de apelo mais fácil, a qual sempre foi o filão mantido pela indústria cultural para justificar inclusive sua existência.
Com relação a violência contra a mulher na música brasileira, uma composição cuja letra inclusive se tornou dito popular em referência a subserviência da mulher foi "Ai que saudades da Amélia" (Ataulfo Alves/Mário Lago) "… As vezes passava fome ao meu lado. E achava bonito não ter o que comer. E quando me via contrariado, dizia meu filho, o que se há de fazer. Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia que era mulher de verdade.
O mesmo Mário Lago já havia escrito também "Número Um", sobre uma mulher de muitos homens: "… Pois entre teus mil amores. Eu sou o número um". Essa era "agressão" que a mulher sofria nas décadas de 40 e 50 pois o machismo era muito comum. O sambista Wilson Batista convocava em "Emília" – "Eu quero uma mulher. Que saiba lavar e cozinhar. E que de manhã cedo me acorde na hora de ir trabalhar…". Podíamos citar outras inúmeras criações, as quais detratavam a sexo feminino, no entanto, apesar de tudo, nenhuma pregava a violência contra ela, no máximo a expunha como objeto de cama e mesa.
Isso se faz muito patente principalmente nas marchinhas carnavalescas, as quais, dentre muitas, podemos citar a "Maria Escandalosa" – "Maria escandalosa, desde criança sempre deu alteração. Na escola, não dava bola, só aprendia o que não era da lição. Depois a Maria cresceu, juízo que é bom não colheu. E a Maria escandalosa, é mentirosa, é preguiçosa, mas é gostosa…"
O compositor pernambucano Capiba discordou na época, da violência contra o sexo "frágil" quando aproveitou um dito popular e criou seu frevo "Cala a boca menino" – "Sempre ouvi dizer que numa mulher não se bate nem com uma flor. Loura ou morena não importa a cor. Não se bate nem com uma flor. Já se acabou o tempo em que a mulher só dizia então: Chô galinha, cala a boca menino, ai, ai, não me dê mais não…"
Já na década de 60 algumas propostas musicais agressivas contra a mulher eram cantadas em "Brotinho Maluco" – "… Brotinho eu acabo, te botando no colo e te dando palmada…". Nessa época um samba com a mesma temática se tornou conhecido: "Bata nego" – "Bata nego, pode bater, bata com força que eu gosto de sofrer… e quanto mais ela apanhava. Mais ela dizia. Bata nego pode bater…"
Nesse período o menestrel Juca Chaves com suas sátiras musicais também alfinetou o mulherio como "Alça de caixão" – "…Pois mulher é como alça de caixão, quando um solta, vem o outro e põe a mão… O sambista Martinho da Vila depreciou as feministas da década de 70 com "Você não passa de uma mulher". Nesse mesmo período composições de Gonzaguinha, Milton Nascimento, Chico Buarque, Ivan Lins, Gilberto Gil e Caetano Veloso, louvaram a atuação das mulheres na luta ao lado dos homens.
Além dos compositores citados, a criação "Mulher (Sexo Frágil) de Erasmo e Roberto Carlos, em homenagem a companheira e mãe dos filhos do Tremendão, se tornou uma espécie de hino da geração. O "Rei da Juventude" aproveitou também para declarar seu amor musical as mulheres que usam óculos, de quarenta anos, gordinhas e etc. Desse novo tempo o cantador Otacílio Batista deu o mote "Mulher nova bonita e carinhosa, faz o homem gemer sem sentir dor", o qual Zé Ramalho colocou melodia e Amelinha cantou, virando o tema principal do seriado televisivo global sobre o cangaço, trilha sonora de Maria Bonita.
A maior depreciação da mulher na música brasileira começou na década de 90 quando, entre outros fatores, foi iniciado o culto ao bumbum com bem mais ênfase do que havia acontecido na época das chacretes comandadas por Rita Cadilac e a "cantora" Gretchen. A indústria fonográfica percebeu a preferência nacional masculina e apostou todas as suas fichas no novo Midas. Fabricou o Tchan e sua Carla Perez e aí vieram as outras seguidoras do culto a bundofília.
Paralelo a isso, a erotização das coreografias das bandas da Bahia, as quais também popularizaram os carnavais fora de época, surgiu uma nova vertente da cultura da massificação. O grupo Mamonas Assassinas foi o primeiro a implementar a palavrão subliminar em suas criações e como o público infantil e adolescente era o alvo fácil de sua comunicação, as crianças começaram a conviver com uma linguagem antes restrita aos adultos.
Como o público infantil e o adolescente se deixa levar de roldão pelos apelos dos grandes veículos e comunicação, notadamente a televisão e o rádio, as fábricas dos discos jogam pesado na divulgação de seus produtos nessas duas vertentes de divulgação. Com isso, também veio o culto as falsas louras, satirizado e popularizado por Gabriel O Pensador em "Lôraburra".
Atualmente, a linguagem subliminar com citação de partes sexuais, iniciada pelo Mamonas Assassinas, aliada a bundofilia, está sendo divulgada amplamente de modo concreto em "músicas" por um tal de Tigrão e sua turma do funk, no Rio de Janeiro e já virou mania nacional. Termos pejorativos como "popozuda" e "preparada" são bradados ao longo da batida mecânica do som que embala as alucinadas galeras. Isso reflete a atual decadência por que passa os valores da atual sociedade. O que mais me revolta ainda, são os adultos que acham engraçados esses atuais adjetivos e a nova moda. Isso sem mencionar o público mais indefeso, das "inocentes" crianças e adolescentes femininas que são chamadas de cachorras e ainda rebolam o tchan.
Lí na imprensa que a Rede Bandeirantes irá colocar no ar um programa semanal de duas horas dedicado ao funk. Creio que se houvesse um cumprimento na legislação da TV brasileira esse tipo de informação não seria passada pela telinha, pois, pelo que se tem notícia em todo o Brasil, inclusive em Fortaleza, sempre ocorre violência entre as galeras desses bailes funks. Inclusive no Rio de Janeiro, o jornal O Dia está denunciando numa série reportagens, todas as atrocidades cometidas com as garotas que pensam em se divertir e acabam abusadas sexualmente nessas festas.
Fico pensando em qual "jogada musical" as multinacionais do disco no Brasil vão apostar depois que essa onda passar. O que idealizar, depois que vi as declarações do tal Tigrão, "As pessoas gostam desse erotismo. Mas se você analisar as letras nem são tão pesadas. Até por que o público infantil ouve funk". Vale salientar que uma das "músicas" dele chama-se "Máquina do Sexo" onde orgulha-se – "… Eu transo igual a um animal…". Isso sem falar em "Jonathan II" interpretada por um menino de 7 anos: "…Sábado e Domingo eu solto pipa e jogo bola. Mas já estou crescendo com muita emoção. E eu já vou pegar um filé com popozão…" Imaginem agora umas mensagens mais leves do que essas
(Fonte: http://robertamalmeida.wordpress.com/2009/03/08/amelias-loiras-burras-e-popozudas-a-violencia-contra-a-mulher-na-musica-brasileira/)
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